quinta-feira, 30 de junho de 2016

Bienal eleitoral sem aprendizagem

Nos últimos 30 anos, os brasileiros foram às urnas dezesseis vezes. Isso sem contar os plebiscitos. E com tantas experiências de voto, nos perguntamos sobre o que aprendemos com tudo isso. A resposta, para mim é: muito pouco. E penso assim baseado na realidade atual, nos escândalos e nos problemas sem solução que se repetem ano após ano.

Por exemplo, porque será que o primeiro semestre dos anos em que temos eleições é sempre uma festa de inaugurações? Os políticos apostam na falta de memória do eleitor e só mostram serviço quando se está perto de voltar às urnas. Será que é só falta de planejamento? Ou pelo contrário, planejam direitinho o tempo para enrolar o eleitor que gosta de ser enrolado.

Mas tem muito eleitor também que adora uma eleição para poder pedir alguma coisa aos candidatos. As campanhas eleitorais nem começaram oficialmente, mas as solicitações já estão aí. Quem é pré-candidato a algum cargo já recebeu pedidos que vão desde uns quilos de carne para fazer um churrasco, um emprego, uma receita médica, um exame e até uma fatura de conta de luz e de água. 

De proposta séria mesmo, de como administrar uma prefeitura sem recursos para investimento por exemplo, ou de como oferecer prevenção de saúde de qualidade ou dar um jeito no transporte público. Isso quase ninguém quer saber.

De fato, a oportunidade de poder votar para quase tudo a cada dois anos é desperdiçada. Seja pela falta de gente séria que queira participar do processo político eleitoral ou pela falta de interesse do eleitor, que também não acredita no sistema.

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