quinta-feira, 30 de abril de 2015

Décadas de greve

A atual greve dos professores em Santa Catarina já dura mais de um mês. Os profissionais estão buscando seus direitos e tentando manter a valorização da profissão. Situação que vem se deteriorando nas últimas décadas. Mas eu fico imaginando como ficam as famílias dos estudantes das escolas que estão sem aulas. Os alunos e seus familiares engrossam a lista dos prejudicados com mais uma greve.

Eu não tenho e nem encontrei um histórico formal sobre a greve dos professores e por isso uso apenas a minha memória para lembrar que há pelo menos três décadas estes movimentos estão acontecendo. E com uma frequência cada vez maior. Em 2011, por exemplo, durou 62 dias, mas eu tenho quase certeza de que nos anos 90 tivemos movimentos maiores e até mesmo duas greves num mesmo ano.

Como este tempo parado com a greve é recuperado? Depois vem um calendário de reposição de aulas, mas convenhamos, nunca é a mesma coisa. Mas os jovens, que são sempre lembrados como o futuro da nação, estão preocupados.

Ontem, na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT), leu uma carta de uma estudante endereçada ao governador Raimundo Colombo. No texto, ela explica que está cursando o último ano do ensino médio e demonstra preocupação porque "os professores não merecem passar por tudo isso, eles são os heróis de nossas vidas. Eles nos trazem conhecimento, nos preparam para os obstáculos da vida e nos abrem os olhos para o futuro, para que assim possamos ser um dia médicos, advogados, jornalistas, nutricionistas, psicólogos".

Segundo a estudante, ser professor hoje em dia é uma grande batalha, que nunca se acaba. "Ser professor é ter que enfrentar a chuva, o sol, a tempestade, madrugadas e encarar mais um dia de greve na luta por seus direitos. Ser professor é ficar sem respostas. Porque ser professor hoje em dia é pensar 1, 2, 3, até 4 vezes antes de escolher essa profissão. Graças ao professor, o senhor (governador) aprendeu a ler e a escrever e também chegou onde queria. Foi pela sua força de vontade e persistência, mas também porque um professor não mediu esforços para lhe ensinar. Pense nisso", finaliza a carta.

Continue lendo...

Google+ Followers

Seguidores