segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Anos de oportunidades (perdidas)

Os brasileiros com mais de 40 anos têm em suas carteiras de trabalho (CTs) registros que hoje poderiam ser considerados bizarros. De 1970 para cá tivemos o Cruzeiro, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real e Real. Incluo também na lista a Unidade Real de Valor (URV) que foi usada como fator de conversão em 1994 durante a transição do Cruzeiro Real para o Real.

Tantas mudanças deixaram registradas nas CTs valores nas casas dos sete dígitos se ficarmos apenas no salário mínimo. Não acredita? Em julho de 1993 o salário mínimo teve o valor nominal de Cr$ 4.639.800.00. Isso mesmo, um trabalhador tinha um salário milionário! É claro que o valor de compra não resistia até o fim do mês. A inflação naquele mês foi de 31,96% e no ano já acumulava em 815,6%.

No fundo é uma história ruim que ninguém gosta de lembrar. Mas o passado não pode ser esquecido para evitar que os mesmos erros sejam cometidos. A vida era difícil para um número muito maior de pessoas. A tal classe média era uma fatia muito pequena em nossa sociedade onde só a classe alta parecia imune aos números da inflação, que por sinal só ajudavam a enriquecer quem tinha mais dinheiro.

Para o brasileiro comum, aquele do salário mínimo em milhões, faltava condição para comprar a casa própria, para comprar os melhores eletrodomésticos, para ter telefone, para ter saúde, para pagar por melhor educação para si e para os filhos, para viajar e até para comer frango.

Como nada é para sempre (ainda bem) a estabilidade econômica dos últimos dezessete anos ajudou a engordar a classe média. Muita gente saiu da miséria e de um jeito ou de outro foram ampliadas as oportunidades para comprar alguns itens da lista do parágrafo anterior. Mas perceba, muita gente saiu direto da Classe E para a Classe C sedenta somente por um consumo descontrolado. E a vida não pode ser só isso.

Mas se cresceu o poder aquisitivo da população, e ao mesmo tempo cresceu o consumo de drogas, cresceu a violência, cresceu a apatia e pioraram nossas escolas, alguma coisa tem de errada nesta história. Será que não estamos perdendo a oportunidade de também evoluir enquanto sociedade?

(*) Texto publicado também na edição de dezembro da Revista Alternativa.

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