sexta-feira, 4 de março de 2011

Queremos sair da fila

As filas evoluíram muito nos últimos anos. Pelo menos nos meus anos de existência. Elas fazem parte da vida urbana e estão presentes nas horas boas e ruins. Mas é certo que muitas mudaram.

Tome o exemplo das filas de bancos. Antes da fila única que temos hoje em dia o sistema era muito mais desorganizado. Os caixas tinham filas individuais e quem precisava enfrentá-las diariamente tinha lá seus macetes.

Primeiro de tudo era conhecer a habilidade dos funcionários dos bancos. Algumas filas andavam mais rápido por causa da agilidade dos caixas. Portanto, eu que era office-boy, já sabia quem devia encarar ou não. Outro macete era analisar individualmente cada uma das pessoas que estavam na fila. Não era uma análise física e muito menos estética. Olhava direto para as mãos. Queria ver a quantidade de boletos, carnês, enfim o volume que estava na mão do sujeito ou sujeita. Se tivesse um colega Office-boy na fila então, nem pensar. Sabia que ele estava no mesmo dilema que eu lotado de serviço para apresentar na boca do caixa.

Hoje em dia as filas de banco ficaram bem melhores. Tem até poltrona para esperar sentado, água para beber e televisão para passar o tempo. Pena mesmo que não resolveram o verdadeiro problema, que é a fila. O número de caixas só diminuiu e como ainda tem muita gente que não tem acesso à internet e também não confia no sistema, o volume de trabalho nas agências bancárias ainda é grande.

Mas nem toda fila do passado significava coisa ruim. Na escola, por exemplo, era significado de disciplina. Os alunos faziam fila logo cedo para acompanhar o hasteamento da bandeira e o canto dos hinos. Depois se alinhavam novamente na porta da sala de aula para aguardar a ordem da professora. Só depois de todos organizados e em silêncio, e ainda ficar assim durante alguns minutos é que todos eram autorizados a tomar assento em seus lugares. Era sim uma fila de respeito.

Tem fila do momento também que significa coisa boa. Qualquer um que queira se divertir tem que encarar uma boa bicha (que é como se chama a fila em Portugal). Vai ao Beto Carrero World, aguente a fila. Vai ao Planeta Atlântida, chegue cedo para fugir da fila. Quer ir ao Carnaval do Iate Clube Morro dos Conventos, acorde de madrugada para encarar a fila do estacionamento. Enfim, são filas que todos enfrentam de muito bom humor.

Mas tem uma fila que nos últimos anos tem incomodado a todos, principalmente pela incompetência. A fila na BR-101. O atraso de anos na conclusão da obra tem gerado congestionamentos quilométricos não mais somente no verão. Se hoje temos nos meses da temporada filas para entrar e para sair das praias, o problema também tem se estendido para o restante do ano. Uma viagem deve ser devidamente planejada para se evitar os gargalos.

A demora na conclusão da BR-101 é uma barreira para o desenvolvimento de toda uma região que sofre nas últimas décadas com o abandono e o descaso, e que aguarda na fila por dias melhores. A cada ano a situação vai ficando pior. Os motoristas mais espertos já começam a fazer igual ao Office-boy que eu citei antes e escolhem as filas menores e os caixas mais ágeis, o que significa ir para outros lugares. Será que vão fazer iguais aos bancos e oferecer melhorias para quem aguarda as filas, ao invés de resolver o problema? Ai, ai, quanta espera!

(*) texto publicado na edição de março da Revista Alternativa

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