sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Gargalos: o Brasil precisa de investimentos urgentes

Na última semana o curso de Comunicação Social da Unisul realizou o Plus - Festival de Comunicação. Entre os muitos convidados do evento, participou o jornalista Corrêa Neves Júnior, diretor-responsável do Comércio da Franca. A passagem dele por Santa Catarina e o deslocamento do interior de São Paulo até Tubarão acabaram virando tema da coluna que ele assina na edição de domingo do jornal. Abaixo segue o texto e a impressão de quem não convive diariamente com a demora nas obras da BR-101, mas certamente ficou sensibilizado com o problema.

"Fui convidado pelo professor Ildo da Silva, coordenador do curso de Jornalismo da Unisul, universidade com 52 mil alunos espalhados por diversos campi no Estado de Santa Catarina, para apresentar uma palestra sobre ‘convergência de mídias’ no encerramento da Semana de Comunicação na unidade de Tubarão (SC). Tenho profundo orgulho do trabalho que desenvolvemos aqui em Franca e gosto muito da oportunidade de detalhar um pouco do que fazemos. O que nunca imaginei é que chegar até o auditório onde seria realizada a palestra, na noite da última sexta-feira, fosse se transformar em missão quase impossível.

Na teoria, vencer o trajeto usando carro e avião exigiria um pouco de paciência, mas não era nada com potencial para gerar desconforto. Na prática, a história seria bem diferente. Partimos eu, minha mãe e minha filha na manhã de quinta-feira. Chegamos ao aeroporto de Ribeirão 50 minutos antes do horário previsto para o voo. Tudo certo, não fosse o fato do estacionamento estar saturado. Quando consegui uma vaga, o embarque estava quase encerrado.

Fomos os últimos a entrar no avião que, assim como o estacionamento, estava lotado. Não havia um único assento disponível. Pelo contrário, sobrava passageiro. Literalmente. Três pessoas tinham em mãos cartões de embarque que indicam o mesmo número de assento. Não sei exatamente o que houve, mas vi gente desembarcando. A mulher, a sortuda que tinha sentado primeiro no tal assento, seguiu viagem conosco.

Desembarcamos em Congonhas às 14h20 e tínhamos tempo de sobra para a chatíssima troca de aeroporto, pois o voo rumo a Florianópolis partiria de Cumbica (Guarulhos) às 18h05. Mas São Paulo é São Paulo e distância ou lógica não fazem qualquer sentido quando a referência é o trânsito da metrópole. Apenas 37 km separam os dois aeroportos, mas gastamos no trajeto três vezes mais tempo do que nos 50 minutos de voo.

Em Cumbica, entramos no avião, nos acomodamos e ouvimos a saudação do comandante, seguida da ladainha de sempre, até ouvir a frase mágica que indica que o avião está prestes a partir. “Portas em automático”. Dez minutos, continuávamos parado. Trinta minutos, idem. Quarenta e cinco, a mesma coisa.

Foi só então que o comandante nos avisou que, por conta do excesso de tráfego aéreo, o voo estava atrasado. E que decolaríamos ainda dali a quinze minutos. Ficamos parados uma hora dentro do avião, apenas esperando autorização para decolar. Na chegada a Florianópolis, mais transtornos. Há uma única esteira de bagagens para todos os voos que chegam à capital catarinense. É um salve-se quem puder, compensado apenas pela gentileza dos catarinenses.

A sexta-feira amanheceu com o tempo emburrado, mas sem chuva. Havia planejado sair de Florianópolis às 17h. Como a palestra estava programada para as 20h, as três horas que reservei seriam mais do que suficientes para vencer os 140 km até Tubarão. Imaginei que chegaria na Unisul com folga.

Ledo engano. Sair da ilha de Florianópolis já foi um tormento, mas apenas o primeiro. Chegar na BR-101, que serve de ligação até Tubarão, foi muito pior. O cenário era de caos. Filas intermináveis de carros completamente parados. Juntou tudo no mesmo lugar: feriado, pista simples em muitos trechos, esburacadas noutros tantos, acidentes para piorar tudo no meio do caminho e nenhuma alternativa possível. Só chegamos à Unisul às 21h. Para minha sorte, o professor Ildo tivera a gentileza de inverter a ordem das palestras e consegui entrar no auditório quando faltavam 5 minutos para a minha vez. O susto foi grande, mas não o último. Na volta, encaramos mais três horas na mesma rodovia, ainda congestionada. Encostamos no hotel às 2h30, exaustos.

O périplo para chegar a Tubarão é apenas um recorte do que acontece com a infraestrutura do país. O Brasil finalmente despertou mas, como centenas de especialistas já tinham advertido ao longo dos anos, o país simplesmente não estaria preparado para lidar com a explosão do consumo e de inclusão social quando isso acontecesse. Não deu outra.

O Brasil precisa de investimentos urgentes em rodovias, aeroportos e rede hoteleira. Nada disso é supérfluo, muito menos num país de dimensões continentais como o nosso. De nada adianta milhões de pessoas passarem a ter condições de voar regularmente se os aviões não saem do chão por falta de aeroportos, opções de conexão ou excesso de tráfego. É inócuo produzir milhões de carros se não temos onde dirigi-los. Não resolve nada ter um litoral de recorte exuberante se os turistas simplesmente não conseguem chegar até os nossos principais destinos.

Tanto pior, corremos o risco de uma vergonha em escala global na Copa do Mundo, dentro de três anos - e nas Olimpíadas do Rio, dois anos depois - se os graves problemas de infraestrutura não forem imediatamente atacados - e resolvidos - sem demagogia. A hora do Brasil, com ou sem crise, é essa. Não dá para adiar, para esperar nem para compensar depois. O tempo é de ação. Urgentíssima."

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