quinta-feira, 2 de abril de 2009

Antigo dono da Campeiro divulga carta

O empresário Max César Nunes, da família fundadora da empresa Campeiro Alimentos, divulgou no final dessa tarde uma carta endereçada aos atuais donos da empresa onde pede pelo não fechamento da empresa e pelo cumprimento de acordos realizados anteriormente.

Confira o texto na íntegra:

"Sr. Gary Kennedy, sr. Alexandre Augusto Pereira Tavares,

Eu vendi a Campeiro a 3 anos atrás para um grupo americano representado pelo sr. Alexandre Augusto Pereira Tavarez vendi com dor no coração pois precisava de dinheiro para honrar as dívidas da Caité Textil, empresa que sangrou os cofres da nossa família durante 12 anos. Evitamos o fechamento da Caité estes anos todos porque não queriamos desempregar 230 funcionários, uma coisa que as multinacionais fazem num piscar de olhos a gente levou 12 anos.

Nossa meta se tornou então vender a Campeiro, pagar todas as dívidas da Caité e com o que sobrasse iriámos fundar uma construtora em Tubarão.

Infelizmente nosso plano naufragou com a decisão do sr. Alexandre em parar de nos pagar.

Ele disse que por causa de uma multa contra a Campeiro, que foi dada depois que vendemos a empresa, iria depositar o dinheiro em juizo por força de contrato. Coisa que ele não fez.

Tentei por mais de dois anos fazer um acordo com o sr. Alexandre mesmo não concordando com a decisão dele e cheguei a oferecer todo o patrimonio da Caité em garantia pela multa, patrimônio este avaliado em mais de duas vezes o valor da multa. Multa esta que estamos recorrendo na esfera administrativa da receita Federal.

Para continuar pagando os credores e não perder o parcelamento da dívida da Caité vendi minha casa, carros e terrenos da futura construtora na esperança de chegar a um acordo com o sr, Alexandre, acordo este que não aconteceu. Estou também tentando vender o patrimônio da Caité para honrar suas últimas dívidas.

Um ano depois o sr. Alexandre tentou vender a Campeiro de volta pra mim e fizemos uma auditoria. Entregamos a Campeiro para ele com uma dívida de 7 milhões, dívida baixa em relação ao tamanho da empresa e nossos levantamentos apontavam que em um ano a dívida tinha pulado para 20 milhões.

Levamos um susto e entramos com um pedido na justiça para que a conta onde ele alegava depositar meu dinheiro fosse bloqueada. Dissemos ao juiz que o endividamento da empresa tinha crescido em demasia e que eu corria o risco de ser lesado pois o contrato não estava sendo cumprido, ou seja ele não estava depositando o dinheiro em juizo.

O Juiz de Tubarão negou nosso pedido alegando que a Campeiro estava em ótimas condições financeiras e que a conta não precisava ser bloqueada. Recorremos a Florianópolis e um ano depois a conta foi bloqueada, era para ter 2.500.000,00, tinha 813,00. Dinheiro este que seria usado para quitar as ultimas dívidas da Caité e fundar a construtora.

Mas mesmo depois de tudo isto ainda tenho esperanças; mesmo quando algumas pessoas insistem em dizer que a situação da Campeiro é irreversível por causa de sua dívida milionária.

Como podemos afirmar com tanta certeza o fim da Campeiro sem termos uma auditoria detalhada dos números para termos certeza da real natureza de suas obrigações?

Suspeita-se que boa parte desta dívida seja para com a LDS, empresa suspeita de ter desviado o dinheiro da Campeiro, boa parte é de longo prazo, e talvez muitas dívidas sejam para empresas laranjas usadas para desviar dinheiro da Campeiro. Enfim existem muitos detalhes que ainda não estão claros.

Meu apelo ao sr. Gary é que o sr. entre na justiça com um pedido de recuperação judicial para que a Campeiro ganhe 180 dias para fazer um plano de recuperação e com o apoio e condução de um juiz uma auditoria detalhada na empresa. Com estes números jogados a luz, poderia-se reunir os credores para achar uma solução.

Com o apoio do juiz responsável poderia-se procurar um comprador pois o mesmo teria a oportunidade de fazer um acordo com os credores, quem não estaria disposto a dar um bom desconto no que tem a receber diante da perspectiva de perder tudo?

Existe também a possibilidade de os credores transformarem a Campeiro em uma cooperativa...

Não é interessante a ninguém a não ser seus concorrentes a quebra da empresa, nem os bancos credores famosos pela ganância querem a falência da empresa.

A Campeiro não merece a falência.

A Campeiro foi fundada pelo meu pai sr. Argemiro Antonio Nunes e seu amigo e sócio Gelson Martins a mais de 20 anos e foi uma empresa exemplar até entao. Ela resistiu a crises, planos de governo, inflação alta, quedas de preço de arroz e a concorrência desleal.

A Campeiro ganhou o respeito das duas maiores entidades sociais do Brasil, Instituto Ayrton Senna e Federação da Apaes lançando o Arroz Campeiro Senninha e o Arroz Festeiro Amigos da Apae.

A Campeiro virou sobrenome de muita gente nestes anos todos, o fulano da Campeiro, a ciclana da Campeiro.

São 130 funcionários que ficaram sem emprego e vários produtores que estão sem dinheiro para quitar suas dívidas.

O impacto na região e na vida das pessoas é muito maior do que qualquer um pode imaginar. Nós não podemos desistir da Campeiro, não sem uma ultima tentativa na recuperação judicial.

Faço aqui também um apelo ao sr. Alexandre Augusto Pereira Tavarez para que reconheça seus supostos erros e faça a coisa certa, devolva o dinheiro que supostamente tirou da Campeiro. Ser odiado por toda uma cidade é um carma muito grande para se carregar por uma vida inteira, pense nos seus filhos, vc não gostaria que eles sentissem orgulho de vc?

Que eles pudessem dizer, meu pai cometeu um erro, se arrependeu e corrigiu o erro da melhor maneira possível. De que vale todo o dinheiro do mundo se vc não tem amigos ao seu lado nem paz de espírito e nem a admiração da sua família?

Peço a todos que lerem esta carta aberta que entupam a caixa de entrada de email do sr. Gary e do sr. Alexandre com emails com esta mensagem:

gary@remedymd.com , Sr. Gary faça a coisa certa, mantenha a Campeiro viva!
alexandretavares@hotmail.com Sr. Alexandre faça a coisa certa, mantenha a Campeiro viva!

Max Cesar Nunes"

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PCdoB mais brando na televisão

O PCdoB completou no final do mês de março 87 anos. É considerado o partido mais antigo do país. Parece que chega nestas mais de oito décadas tentando amolecer um pouco mais a imagem de partido comunista e de esquerda.

O programa apresentado na TV na semana passada pelo vereador de São Paulo Netinho de Paula, aquele mesmo cantor de pagode e apresentador de televisão, tentou trazer este ar mais leve ao partido.

Com elogios ao presidente Lula e exemplos da atuação do partido pelo Brasil ficou bem parecido com os programas do partidos mais liberais.

Não acho que o PCdoB deva ser sisudo, mas acho que deve continuar combativo, critico e coerentes com as suas origens. Em Tubarão, o partido tinha em 2008 (dados do TRE-SC) 185 filiados.

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